Governo fica com até 82% do salário

VERA HALFEN

O Brasil tem a segunda maior carga tributária do mundo sobre os salários dos trabalhadores. O percentual de tributos atingiu 42,50% sobre os salários brutos em 2005. O Governo federal abocanha entre 42% e 82% do salário pago ao trabalhador. O estudo é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Segundo a avaliação do advogado tributarista Clélio Chiesa, ao analisar o estudo, "ao longo destes quatro anos, a carga tributária vem gradativamente aumentando, e podemos constatar que a cada ano existe crescimento efetivo em termos percentuais sobre o ganho assalariado, dando razão àqueles que dizem cada vez receber menos. Também o empregador é penalizado. É estarrecedor se avaliarmos o percentual sobre o salário que fica para o Governo".

Entre os 26 países com maior tributação, o Brasil está em segundo lugar (42,5%), ficando atrás apenas da Dinamarca, com carga tributária de 42,9%. No país vizinho, Argentina, os tributos sobre salários somam 27,7% e nos Estados Unidos 24,3%. Chiesa destaca que os tributos incidentes sobre os salários na Dinamarca revertem em excelência nos serviço de saúde, educação e segurança. "Já no Brasil, quem não quiser morrer em uma fila do INSS, precisa pagar previdência privada. Para ter boa educação, precisa pagar escola particular. Além disso, dispender mais recursos para pagar segurança no seu bairro".

Encolhimento

"Se analisarmos valores mais elevados, como um salário de R$ 3 mil, em 2002, o empregado recebia R$ 2.580,30, porque pagava R$ 419,70 de tributos. A parte do empregador era de R$ 995,10 e o Governo recebia R$ 1.414,80 de impostos", frisa o tributarista.

Para o mesmo salário de R$ 3 mil em 2005, o empregado passou a ter descontado R$ 653,14, o salário líquido encolheu para R$ 2.346,86; já os tributos do empregador passaram para R$ 995,10 e o total da tributação pulou para R$ 1.648,24, ou seja, a tributação sobre o mesmo valor aumentou 16,5% de 2002 para 2005. Já o empregado perdeu R$ 233,44, em valores nominais, sem considerar a inflação do período.

Menos faminto

Por outro lado, não ocorreu aumento de tributos sobre os salários mais baixos (até três salários) no período de 2002 a 2005. Já a classe média foi penalizada com aumentos expressivos de imposto e o consequente encolhimento de salários. Já acima de 15 salários mínimos a voracidade do Governo não se fez presente e, em média, houve redução em torno de 0.17 ponto percentual nos tributos.

Chiesa destaca que o Brasil tem uma das maiores cargas tributária do mundo, mas possui a pior em infra-estrutura dos serviços públicos. "Não adianta o Governo fazer alterações pontuais de impostos. O Brasil precisa de uma reforma tributária drástica". (Correio do Estado)

Fonte: SINTAF-RS


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