Farra dos impostos
Moacir Rodrigues - Diário da Manhã On Line - 24.08.2006
A cada hora acontecem duas mudanças na legislação
tributária em todo o Brasil
A cada hora ocorrem ao menos duas mudanças na legislação tributária brasileira.
Desde 1988, foram mais de 220 mil. Por ano, uma empresa de médio porte com
faturamento de até R$ 30 milhões gasta cerca de 30% desse valor em impostos.
Além de pagar os tributos, as empresas precisam demonstrar as informações por
meio de softwares específicos, que exigem constante atualização. Somados, os
gastos com funcionários e softwares atingem mensalmente cerca de R$ 3 mil.
O contador tributarista Wilson Luiz Ferreira diz que o maior ônus para as
empresas é a dificuldade em manter atualizados os programas para fornecimento de
informações junto à Receita Federal, ao Estado e município. Além da manutenção
dos softwares, uma obrigação acessória, a empresa tem de aumentar o número de
trabalhadores em seu departamento contábil e fiscal. “As empresas gastam muito
com programas e cursos para os funcionários, isso sem contar os salários.”
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no
primeiro trimestre de 2006 o PIB brasileiro ficou em R$ 478,9 bilhões. No mesmo
período, a carga tributária do País atingiu 40,69%, como mostra estudo realizado
pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). A carga tributária
brasileira totalizou R$ 194,87 bilhões no mesmo período, contra R$ 180,67
bilhões no primeiro trimestre de 2005. O crescimento nominal foi de R$ 14,20
bilhões.
Diretor da Tron Informática, empresa especializada em softwares de legislação
tributária, Reilly Rangel conta que a carga tributária brasileira desestimula os
empresários. Diante das exigências da legislação, as empresas buscam apoio de
assessorias tributária, trabalhista e jurídica, o que onera o faturamento.
“Sugiro uma reforma tributária onde os políticos e empresários possam entender a
questão tributária e estimulem as empresas”, diz.
Rangel explica que há uma aversão dos empresários de outros países em relação ao
Brasil, devido à pesada carga tributária. Hoje, uma empresa de médio porte gasta
mensalmente cerca de R$ 3,8 mil somente com serviços de assessoria. As empresas
que prestam assessoria também registram altos custos com manutenção. Como
exemplo ele cita o caso de um programador que ganha em média R$ 5 mil no Brasil.
Na África, o salário cai para R$ 1 mil. “Nossa empresa busca investir naquele
país, onde os custos com manutenção e a carga tributária são menores.”
Ele conta que no Brasil são necessários dez profissionais para atender cerca de
580 clientes. No méxico, uma pessoa atende 400 clientes. As mudanças nos
programas de informática desestimulam quem atua no segmento. A Tron investe
cerca de R$ 2.300 em um software. Ao ano são realizadas cerca de 42 alterações.
“O dinheiro gasto em atualizações dos programas poderia ser gasto em programas
de gestão e desenvolvimento. Hoje, as empresas brasileiras trabalham mais para o
governo, deixando de investir em inovação.”
TERCEIRIZAÇÃO – Gerente-executivo de uma concessionária de veículos, Gelson
Garcia Ozório conta que sua empresa recebe assessoria em informática. Não
descarta algum tipo de risco, mas diz que o fundamental é confiar na empresa que
toma conta dos softwares de legislação. Assinar publicações e participar de
seminários e palestras é outra saída para quem deseja se manter informado sobre
as mudanças na legislação.
Ele diz que um dos problemas é quanto ao atendimento ao cliente. Se a carga
tributária aumenta, os preços são repassados ao consumidor. “Sabemos que isso
representa um ônus, mas temos de repassar ao cliente. ”
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